O que há por trás da EaD?: os desafios e a validação de se ensinar a distância.


É muito verdadeiro que a Educação a Distância faz parte de nossa vida desde muito tempo, quando se estudava em cursos por correspondência, através de tele-aulas, tele-vídeos, entre outros. Com o advento tecnológico mediado pelo computador essa forma de ensinar se expandiu e se popularizou no mundo, permanecendo a ideia central de que se realmente era válido ou não a modalidade de ensino a distância e, sobretudo, quais as metodologias adotadas para se ensinar e aprender, sendo uma educação voltada para a massa ou não, nesse contexto mediado pelo computador.

Compreendemos que as TICs, a cibercultura, ciberespaço, possuem relação direta e influências constantes nas relações sociais, econômicas, políticas e educacionais. Diante disso surgiram novas formas de ensinar e de aprender, de se relacionar, etc. Filatro (2004) apud Lindem (2010) apresenta na figura abaixo como acontecem as relações entre sociedade, educação e tecnologia, bem como se dão as novas de produzir, armazenar e distribuir conhecimento frente aos novos saberes, meios de comunicação, etc.


Evidente que é uma visão romantizada da educação a distância se concebermos que o seu desenvolvimento foi pensado para que as pessoas realizassem o sonho de ter o ensino superior/técnico. Mas ao mesmo tempo devemos creditar que há uma oportunidade potencial na oferta de cursos a distância para aqueles, especialmente na rede pública. No entanto, para tudo há um propósito que alimenta o sistema econômico vigente e com isso entendemos o empenho e promoção da EaD para esse proposito laboral.

Os prós e contras dessa configuração de ensino-aprendizagem é possível identificar um perfil docente e discente, bem como uma intencionalidade direta e indireta no atendimento às pessoas que tem a pretensão dos estudos e (muitas vezes) indisponibilidade da presença em sala de aula. Nessa perspectiva Harasim (2003) concebe 3 modalides de educação apoiadas em redes de comunicação, que são:


Entre o ensinar e aprender existem atores responsáveis por todo esse processo. O ensino não depende só do professor se ele não tem a quem dispor a sua metodologia, assim como a aprendizagem não depende somente do aluno se ele não tiver condições para aprender. Sobre metodologias para o ensino à distância, o professor necessita ter algumas habilidades e conhecimento, tais como o domínio do conteúdo, mediação online, estratégias de acompanhamento do aluno contando com o feedback e atendimento individual corroboram com o desenvolvimento e formação do discente.

A docência online é um pressuposto fundamental no ensino online. É compreender que existem outras formas de ensino-aprendizagem. Tractenber e Tractenberg (2007) sugerem algumas competências para a docência online, que são (1) competências pedagógicas; (2) competências sócio-afetivas; (3) competências gerenciais; (4) competências tecnológicas; (5) competências de facilitação; (6) competências administrativas [para saber mais: http://www.aedi.ufpa.br/arquivos/leonel.pdf].

Consigo comentar duas faces experimentais que tive na EaD, uma enquanto aluna de um curso de graduação de línguas que se intitula semi-presencial; e outra como tutora a distância nas mesmas condições da situação citada acima, ambas estruturadas pela Universidade Aberta do Brasil. Em linhas gerais posso elucidar que a EaD exige o comprometimento e empenho do aluno, pois é preciso ter uma disciplina de estudo em atendimento aos prazos estabelecidos pelo professor para o envio das atividades.

Enquanto tutora, é uma outra perspectiva. É acompanhar o aluno no desenvolvimento gradual da aprendizagem, tal como acompanhar o professor na aplicação das aulas, isso significa que a tutoria está entre ensinar e aprender, no sentido de que é preciso aprender o conteúdo que o professor está ensinando, para avaliar o que o aluno aprendeu, ao passo que ensina o aluno o que também está aprendendo. Em outras palavras, significa dizer que o tutor não tem o domínio total do assunto, contudo sabe um pouco mais do que o aluno que está ali para aprender, então o tutor necessita se apropriar da prática pedagógica do professor para assistir o aluno em sua aprendizagem.


Referências

PRETTO, Nelson De Luca; RICCIO, Nicia Cristina, PEREIRA, Socorro Cabral. Reflexões teórico metodológicas sobre ambientes virtuais de aprendizagem. In: 18 Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste - EPENN, 2007, Maceio/Al. Anais... - EPENN. Maceio/Al: UFAL, 2007.
HAGUENAUER, Cristina; LIMA, Luciana Guimarães; FILHO, Francisco Cordeiro. Comunicação e interação em ambientes virtuais de aprendizagem. In: 16 Congresso Internacional de Educação a Distância, 2010, Foz do Iguaçú/PR. Anais... - CIAED. Foz do Iguaçú/PR, 2010


TRACTENBERG, L; TRACTENBERG, R. Seis competências essenciais da docência online independente. 2007. Disponível em http://www.aedi.ufpa.br/arquivos/leonel.pdf (acessado em 09.07.17).


LINDEN, M. M. G. V. D. Introdução à educação a distância In: Língua portuguesa e Libras: teorias e práticas 1. FARIA, E. M. B. de; CAVALCANTE, M. C. B. (Org). João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2010.

Comentários

  1. interessante essa análise que você faz sobre o duplo papel do tutor. É alguém que está no interstício, que precisa atender a duas demandas e que, infelizmente, é o mais mal remunerado nesse ciclo. Dá muito o que pensar...

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