Vários mundos em um só: analógico – digital – internet - ciberespaço.


Fonte: http://www.turboflash.com.br/?lightbox=image_xvr

Há discussões em torno do “homem como máquina”, “o homem visto como máquina”. Então será mesmo que estamos nos tornando máquina ou a máquina está a se tornar humana?

Trago um conceito básico, mas fundamental, sobre o analógico e o digital. Me apresso em questionar: somos analógico e criamos extensões (de uso humano) digitais? Ou nós somos analógicos e digitais ao mesmo tempo?

Encontrei a seguinte reflexão. Uma câmera fotográfica capta imagens pré-selecionadas pelo usuário, armazena em um cartão de memória ou registra no filme para ser revelado a posteriori. Todavia, quando piscamos também captamos imagens e armazenamos em nossa mente, tendo como forma de “revelação” através das expressões artísticas da descrição pictórica ou oral. Mas em ambas as ações obtemos uma representação imagética da qual é possível rememorar posteriormente, ou não. Nessa perspectiva, é possível afirmar que nossa visão é analógica e a câmera fotográfica é digital? Pensemos...

Fonte:http://www.detonablog.com.br/camera-vs-olho-humano/
O analógico é análogo, isto é, o mais semelhante possível, é o mais próximo do real, possui base decimal e se relaciona com o ambiente físico que vivemos, sendo o mais completo, por essas razões é considerado pesado e dificultando a transmissão dos dados. Já o digital é uma amostra do todo, sua base é binária, sendo assim considerado mais leve, também podendo compactar e transformar dados em fragmentos, com isso facilita a sua transmissão. Em linhas gerais, o analógico se apresenta tal como o original, sem excluir a existência de ruídos. E o digital, por sua vez, apresenta os dados que o cérebro consegue codificar, porém perdendo parte dos dados.

Não estamos aqui para elevar os prós e os contras do analógico e do digital, até porque cada um tem suas potencialidades e limitações. Entretanto diante de tantas informações conceituais faz-se necessário tornar esse conhecimento comum, palpável, reflexivo e, por que não critico, também.

A aproximação conceitual sugerida entre a fotografia e o piscar do olho seria uma provocação para mostrar como podemos obter a imagem, corresponderia a visão humana como conceito analógico, ao passo que a câmera digital corresponderia ao digital. Todavia, passemos adiante.

Isso tudo para dizer que a técnica está posta em espaços sociais, educativos, culturais, entre outros, uma vez que ela é inerente ao homem, tão logo, ele conduz a sociedade, daí então a possibilidade de uso análogo entre a câmera fotográfica e o olho humano, como uma possibilidade de compreender o quanto a técnica reside em nós. Nesse sentido, o foco passa a ser a utilização e repercussão dos valores analógico e digital nessas relações.

A tecnologia avança tanto quanto o desenvolvimento humano, compreendendo isso, a utilizamos naturalmente. Quando miramos no contexto educacional lá está presente no formato de Educação a Distância, sendo utilizado como recursos educacionais, fontes de pesquisa, meios sociais, compartilhamento de informações, entre outros.

Diante disso, surge uma nova relação com o saber (Lévy, 2010), novas formas de ensinar, aprender, socializar o conhecimento e a informação. Resaltando que tudo isso só foi possível após o surgimento da internet, onde pôde alcançar massivamente todos os contextos sociais, econômicos, políticos, educacionais, etc. A internet rompe barreiras e demanda novos conceitos, tais como inteligência coletiva, ciberespaço e cibercultura.

Esse sistema global que interliga as redes dos computadores, chamado internet, oportuniza vários mundos em um só. Somos máquinas-humanos e humanos-máquinas. A demanda social demanda a necessidade das redes e conexões. Podemos estar distantes presencialmente, mas estamos conectados com o mundo inteiro simultaneamente.
Fonte: http://www.homemberinjela.com.br/hb/colunas/homem-maquina.html


Essa totalidade e compartilhamento do conhecimento fez-me recordar da Àgora de Sócrates citada por Bauman. Sim, um espaço de encontro social para compartilhar conhecimento, contudo, apenas alguns poucos detinham o saber enquanto a maioria estava por ouvir. Na Àgora do século XXI todos são detentores de conhecimento, publicando e compartilhando informação e saber na internet, podendo ser coletivamente ou individualmente. Assim como eu que aqui estou publicando o que considero compreender acerca do mundo.

Referências
LÉVY, P. A nova relação com o saber In: Cibercultura. São Paulo, 34, 1999. Páginas 159 ~169.

COUCHOT, E. Das representações à simulação: Evolução das técnicas e das artes da figuração In: Imagem-Máquina: A era das tecnologias do Virtual. 2ª Ed, 1996.


SERPA, L. F. P. A imagem como paradigma.

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