Como era antes?


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Acordei com o despertador do meu celular que programei no dia anterior. O relógio mostrava 5h00, estava amanhecendo. Ainda com os olhos cerrados, passei a vista nas redes sociais: curto, compartilho, reposto, confirmo presença nos eventos sociais, posto notícias e fotos. Claro! Tinha que acordar atualizada.

Ao chegar no banheiro as luzes acendem com a minha presença, a água na torneira é acionada quando ponho a mão embaixo e assim posso lavar o meu rosto. Não sei por qual motivo, mas pensei: como a vida era antes? Prossegui com as minhas atividades.

Ligo o meu notebook, a cafeteira (já com o pó do café), coloco os pães na torradeira elétrica, programo a roupa na máquina de lavar. A geladeira mostra um alerta dos itens que preciso repor, logo solicito ao supermercado o que está faltando. Me preparo para iniciar o dia de trabalho. Continuo matutando “como a vida era antes?”.

Os serviços tecnológicos fazem parte de nossas vidas de uma forma tão natural que fica difícil pensar viver sem esses artefatos que aparentemente nos ajudam nas atividades gerais e nos dão a sensação de ampliação social. É como se esses instrumentos fossem a extensão do nosso corpo que nos possibilitasse alcançar todas as áreas: sociais, laborais, de entretenimento, entre outros.

Como chegamos até aqui complementa a reflexão para compreender como era a vida antes disso tudo. Mas como chegamos até aqui no sentido da internet, da comunicação entre máquinas-homem e máquina-máquina, sobretudo como não conseguimos imaginar a vida sem os “braços tecnológicos”.



Em um pequeno resumo histórico é possível compreender que a internet surgiu na década de 1900 com o objetivo de trocar informações entre as pessoas que trabalhavam em instituições de grande porte que tinham condições financeiras para adquirir um computador. [Ah! Já existiam computadores que eram grandes máquinas, no sentido literal da palavra grande]. Essas instituições eram as universidades e as forças armadas.

Os próximos passos seriam desenvolver computadores menores, tais como computadores de mesa, computadores portátil, tablets, celulares, de todos os tamanhos e gostos, visando a utilização massiva da população comum. População comum com poder aquisitivo para adquirir esses dispositivos.

A medida que as pessoas comuns passaram a consumir esses dispositivos, houve desenvolvimento também nos serviços que as pessoas iriam acessar. A World Wide Web (WWW) também surge nessa mesma década (1900) viabilizando o uso de uma interface gráfica e a criação de sites dinâmicos e mais visualmente interessantes. Eis a primeira geração Web, a chamada Web 1.0 cuja características é a disponibilidade das informações, as pessoas são chamadas de usuários que navegam entre as informações disponibilizadas, fazem uso do sistema, “aceitando sua arquitetura, sem a possibilidade de questionar ou modificar o conteúdo” (BONILLA, 2011 p.61). A interação usuário-máquina acontece através de cliques em seus diversos sites disponíveis na rede.

A segunda geração de serviços Web é chamada Web 2.0 visando a “produção colaborativa, a participação e a interação” (BONILLA, 2011, p.61). As pessoas passam a ser chamadas de interagentes, pois são partícipes das interações, “pois supõe uma participação ativa dos envolvidos no processo, e está voltado para o relacionamento estabelecido entre eles, e não para o consumo de informações" (PRIMO, 2008 apud BONILLA, 2011, p. 62). A comunicação está em toda parte e em todos os lugares, a rede é uma plataforma tecnológica, os interagentes podem realizar atividades online, surge a inteligência coletiva.

https://canaltech.com.br/coluna/internet/Internet-de-Todas-as-Coisas-uma-nova-internet-para-uma-nova-era/
Diante do contexto tecnológico, surgem novas formas de pensar, de agir, de se relacionar. Novos serviços são desenvolvidos para o consumo de massa, mesmo que uma parcela mínima da população tenha acesso aos dispositivos móveis, essa minoria também passa por transformações.

Os sites de redes sociais se apresentam similarmente as relações sociais que construímos fora da rede. Elas são constituídas por atores e conexões, onde o ator tem sua identidade construída individualmente e é representado por um nó. O perfil que preenchemos nos sites de redes sociais é a sua identidade, é o que se quer mostrar para os integrantes daquele site, por essa razão que é único. (RECUERO, 2009).

Já a conexão é o que existe em comum aos atores, é a liga ou laços que conectam as pessoas que fazem parte do site de redes sociais. O laço é constituído por características comuns a esses atores, podem ser outros atores, interesses, grupos, entre outras coisas em comum. Se na relação grupal nos interessamos por pessoas que reúne características desejáveis, vestes, posição e vantagem social, então na relação criada nos sites de redes sociais esses valores são chamados de capital social.

O capital social representam valores sociais dos quais tencionamos usufruir. Esse usufruto produz benefícios para rede como um todo, são artefatos de consumo, quer sejam material ou imaterial, simbolizam status social, intelectual e lazer. (RECUERO, 2012).

Os sítios de redes sociais ampliaram a forma como as pessoas se relacionam. A partir desse momento aqueles que estão fora da rede não serão curtido, não visualizarão fotos, não saberão notícias, etc. Estão fora do mundo considerado “real”. Compartilhamos um mundo real na virtualidade das coisas, onde a relação se traduz a homem-máquina-homem. Talvez eu encontre a resposta para a minha inquietação inicial. Vou buscar no google!

Referências
BONILLA, M. H. Formação de professores em tempos de Web 2.0. In: FREITAS, M. T. A (Org.). Escola, tecnologias digitais e cinema. Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2011, p. 59 – 87.

LEMOS, A. Internet das coisas. In: LEMOS, A. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013, p. 239 – 270.

RECUERO, R. Mapeando redes sociais na internet através da conversação mediada pelo computador. In: NASCIMENTO, A. D.; HETKOWSKI, T. M. (Org.). Educação e contemporaneidade: pesquisas cientificas e tecnológicas [online]. Salvador: EDUUFBA, 2009, p. 253 – 274.

RECUERO, R. O capital Social em rede: como as redes sociais na internet estão gerando novas de capital social. Contemporânea: revista de comunicação e cultura. V. 10, nº 3. 2012, p. 597 – 617.


Comentários

  1. interessante pensar como era antes, especialmente para quem nasceu já cercado de tecnologias digitais, e não viveu o "como era antes". Mas uma outra pergunta tb inquieta: como será amanhã? a velocidade das transformações nos deixam sempre na expectativa do que virá...
    só acerte as datas em teu texto - se está falando de décadas, cite-as... 1900 é século e não década...

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