A educação percebida como mercado: entre o bem público e o privado.
Caro leitor,
Na opção de pagar por um bem ou tê-lo em livre acesso, qual destas
você escolheria? O que está em uso no âmbito da educacional é a política do
público ou do privado?
“(...) os sistemas educacionais e o sistemas técnicos são adotados em função dos ideais dos sujeitos sociais e dos sistemas políticos, bem como interesses de mercado, sendo que a correlação de forças entre eles define o tipo de sociedade a ser construída” (Bonilla, 2014, p. 227).
É
difícil falar no ensino e não percebe-la enquanto mercado. Não estou afirmando que
essa relação seja justa ou que esteja correto, aliás penso que mercado e ensino
são distintos. A razão encontra-se em massificar a instrução, a mão de obra, a
qualificação, a produção. Por que não o consumo? também. Tanto se fala em
políticas públicas, mas para quem? Quem define as nossas escolhas?
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| Fonte: http://www.seligabelojardim.com.br/2017/05/o-que-e-software-livre.html |
Tenho
a sensação de já ter ouvido falar ou discutido a respeito da produção e consumo
de massa ou cultura de massas; ocorreu da citação do modelo capitalista como
responsável por tudo isso. Penso que sim! Mas será que ele realmente é o “lobo
mal” dessa história? De fato o quanto é imposto e o quanto é consumido? De que
maneira se absorve tanta informação?
Somos
a sociedade do consumo. Compramos por impulso, desejo e ego. Em uma sociedade
que muitos morrem de fome, temos o orgulho de possuirmos produtos de marca com
a finalidade de alimentar o nosso egoísmo. A lógica é adquirir o produto por
qualquer valor atribuído a ele, no caso de não se alcançar os números, ou seja,
de não se ter como prover a cifra então busca-se formas de consegui-la, pois o
que importa aqui é ter! Tal conceito é apregoado, absorvido e, também conhecido
como cultura do consumo.
E
qual é a relação da educação nesse contexto? Totalmente intrínseca. É na
educação que transformamos conteúdos em conhecimento, como diz Boaventura
(2005) renovamos a teoria crítica e reinventamos a emancipação social. Isso não
significa dizer que a educação vai salvar o mundo, no entanto, ela pode fazer
parte desse movimento de resgate a criticidade e transformação individual e
coletiva. Individual no sentido de desenvolvimento pessoal para que a
posteriori haja transformação social. E o coletivo na perspectiva da construção
ideológica de igualdade, de humanidade, nos aspectos de uma sociedade que
queremos.
O
modelo econômico capitalista visa a produção e a distribuição como propriedade
privada, tendo como finalidade a geração de lucros. É tudo mesmo! Em se
tratando do ensino, isso significa que estamos presos a um monopólio
intelectual e que toda a criação cientifica deve gerar lucros. E um dos maiores
mercados lucrativos é a tecnologia, o que nesse contexto o desenvolvimento
tecnológico de uso voltado para o ensino é o que mais nos interessa.
Nesse
sentido, Bonilla (2014) discute a utilização dos softwares livres não só por
sua repercussão monetária, todavia mais por questões ideológicas, por sua
construção colaborativa, seu caráter político e filosófico, isto é, o acesso
livre a (in) formação na perspectiva da transformação social, uma vez que
coexiste uma ideologia sobre o desenvolvimento dos softwares livres.
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| Fonte: https://www.raspberrypi.org/app/uploads/2014/03/creative_commons.jpg |
Benkler
(2007) traz esse movimento da produção criativa, democrática e colaborativa ao
apresentar o commons como “um tipo
particular de arranjo institucional que governa o uso e a disposição de
recursos” (p. 12), ou seja, é produzir conhecimento e compartilha-lo
democraticamente, respeitando o criador à sua criação (ou desenvolvimento). O
que em termos populares seria “dar a César o que é de César”.
Portanto,
caro leitor, havemos de colaborarmos na produção dos saberes, não de uma forma
irresponsável, e sim munidos de conhecimento e senso crítico a fim de elevar as ciências, o
homem e a sociedade.
Referência
BONILLA,
M. H. S. Software Livre e Educação: uma relação em construção. Perspectiva,V.
32. Florianopólis, 2014.
BENKLER,
Y. A economia política dos commons In: Comunicação Digital e a construção dos
commons: redes virais, espectro aberto e as novas possibilidades de regulação.
Editora Fundação Perseu Abramo, São Paulo, 2007.


Sim, vivemos numa sociedade de consumo, consumimos muito, mas precisamos ser conscientes e críticos do que fazemos, e mais, como educadores, precisamos propor outras alternativas para que a formação de nossos alunos possa ser o mais alargada possível...
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